Cada citação abaixo foi conferida no PDF da própria fonte, não em resumo de terceiros.
Geometria de canteiro.
Embrapa Hortaliças, Recomendações técnicas para o cultivo de hortaliças em agricultura familiar (Circular Técnica 47, 2007):
“Os canteiros devem ter de 15 a 20 cm de altura… e aproximadamente 1 m de largura porque é possível atingir o centro do canteiro com o braço.
O espaçamento entre os canteiros varia de 30 a 40 cm, de modo a permitir o trânsito de uma pessoa adulta dentro da horta.”
Embrapa Meio-Norte, Preparo de canteiros para o cultivo de hortaliças (2020):
“largura de 1 m… O espaçamento entre os canteiros (ruas) deve ser de 50 cm, de modo a permitir a passagem de pessoas e o carrinho de mão.”
EMATER-MG, Horta: planejamento e produção (2023): canteiro de 1,00 m a 1,20 m de largura, 40 cm entre canteiros.
SENAR-SP, Olericultura básica: “largura de 1 a 1,20 metro… largura entre um canteiro e outro (ruas do canteiro) de 0,40 a 0,50 metro”.
Fileira dupla. A fórmula usada aqui, média das duas entrelinhas vezes o espaçamento entre plantas, reproduz cinco de cinco populações publicadas pela Embrapa:
| Arranjo | Nossa conta | Publicado | Fonte |
| 2,0 × 0,60 × 0,60 m | 12.820,5 pl/ha | 12.820 | Circular Técnica 132, 2022 (mandioca) |
| 3,0 × 0,50 × 0,50 m | 11.428,6 pl/ha | 11.428 | Circular Técnica 132, 2022 |
| 4 × 2 × 2 m | 1.666,7 pl/ha | 1.667 | Comunicado Técnico 23, 2004 (bananeira) |
| 4 × 2,5 × 2 m | 1.538,5 pl/ha | 1.538 | Comunicado Técnico 23, 2004 |
| 4 × 3 × 2 m | 1.428,6 pl/ha | 1.428 | Comunicado Técnico 23, 2004 |
A CT 132 define a notação: “2 m entre fileiras duplas, 0,60 m entre linhas da fileira dupla e 0,60 m entre covas ao longo das linhas”.
Área mínima e escalonamento.
Embrapa, Produção de hortaliças para agricultura familiar (2015): “É recomendável, em um esquema de rotação de culturas, que a área seja dividida em talhões e que cada um deles seja dividido em quatro faixas”. É a lógica de bloco usada aqui.
EMATER-MG (2023): “No caso de uma horta comercial é necessário que seja feito um levantamento inicial do volume a ser comercializado por semana, para que seja possível estabelecer o intervalo de semeio e a área necessária para se fazer o plantio.”
Rotação.
Embrapa Hortaliças, Rotação e sucessão de culturas em hortaliças cultivadas em pequenas áreas no manejo de doenças (Circular Técnica 152, 2016):
“As regras básicas para a rotação de culturas são nunca repetir espécies da mesma família na mesma área e alternar espécies folhosas, tuberosas e frutíferas, observando ainda as necessidades nutricionais de cada espécie”, e
“a rotação de culturas deve ser adotada por 1 a 2 anos para reduzir a população de patógenos na área”.
Embrapa Hortaliças, Hérnia das crucíferas (Comunicado Técnico 72, 2009): a rotação “deve ser de no mínimo, quatro anos”, e o patógeno “produz um tipo de esporo de resistência capaz de sobreviver no solo por mais de dez anos, na ausência de hospedeira”.
Famílias botânicas conforme APG IV (2016).
Alternar folhosa, tuberosa e frutífera. A regra da Circular Técnica 152 tem três partes, e a aba agora checa duas. A frase completa é:
“As regras básicas para a rotação de culturas são nunca repetir espécies da mesma família na mesma área e alternar espécies folhosas, tuberosas e frutíferas, observando ainda as necessidades nutricionais de cada espécie.”
A classificação por parte comestível é da Circular Técnica 47: “Hortaliças-folhosas: alface, almeirão, agrião, espinafre, couve, cebolinha, salsa, rúcula; Hortaliças-flores: couve-flor, couve brócolos; Hortaliças-frutos: berinjela, jiló, abóbora, quiabo, chuchu, tomate, pimentão, pepino; Hortaliças-tubérculos: batata; cará; Hortaliças-raízes: cenoura, beterraba, rabanete, nabo, batata-doce; Hortaliças-bulbos: cebola, alho”.
A terceira parte, a exigência nutricional, não está implementada: a publicação enuncia o princípio mas não traz tabela de exigência por cultura, e não vamos classificar sua horta por um número que a fonte não deu.
Quando trocar de família não resolve. A própria Circular Técnica 152 avisa que
“há alguns riscos de que a rotação e sucessão de culturas não seja efetiva no manejo de doenças mesmo utilizando espécies de famílias botânicas distintas”.
A Tabela 1 dela lista os patógenos de solo por família, com nota de especificidade: 1 alta especificidade (pouco risco), 2 média, 3 baixa especificidade (alto risco). Um patógeno de nota 3 atravessa a família, e é por isso que a aba avisa quando várias culturas da mesma área hospedam o mesmo:
| Família | Patógenos de solo (nota de especificidade) |
| Aliaceae | Fusarium spp. (2), Ditylenchus dipsaci (2), Sclerotium cepivorum (1), Pectobacterium spp. (3) |
| Apiaceae | Meloidogyne spp. (3), Pectobacterium spp. (3), Sclerotium rolfsii (3), Sclerotinia sclerotiorum (3) |
| Asteraceae | Rhizoctonia solani (3), Pectobacterium spp. (3), Sclerotinia sclerotiorum e S. minor (3), Meloidogyne spp. (3) |
| Brassicaceae | Plasmodiophora brassicae (1), Pectobacterium spp. (3), Meloidogyne spp. (3), Sclerotium rolfsii (3), Sclerotinia sclerotiorum (3), Rhizoctonia solani (2) |
| Cucurbitaceae | Didymella bryoniae (2), Meloidogyne spp. (3), Phytophthora capsici (2) |
| Fabaceae | Rhizoctonia solani (3), Sclerotium rolfsii (3), Sclerotinia sclerotiorum (3) |
| Malvaceae | Meloidogyne spp. (3), Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (1) |
| Solanaceae | Phytophthora capsici (2), Ralstonia solanacearum (3), Verticillium dahliae (3), Meloidogyne spp., Sclerotium rolfsii (3), Sclerotinia sclerotiorum (3), Rhizoctonia solani |
Transcrição literal da Tabela 1 da Circular Técnica 152 (2016). Duas linhas da Solanaceae vêm sem o índice na publicação e ficam sem nota aqui também, em vez de receberem uma classificação que a fonte não deu. Amaranthaceae, Convolvulaceae e Poaceae não têm linha nessa tabela, o que é ausência de linha e não ausência de patógeno.
Gramíneas. A mesma publicação recomenda incluí-las: para o mofo branco, “a rotação de culturas com gramíneas reduz a população do fungo na área de cultivo”; para a podridão do colo, “recomenda-se a rotação de culturas com gramíneas para reduzir a população do fungo”. E acrescenta: “Outro ponto importante refere-se a inclusão no sistema de rotação de culturas de espécies da família Poaceae (ou gramíneas), tais como milho, sorgo, aveia, braquiária e milheto.”
Espaçamento, ciclo e produtividade de cada cultura. Cada cultura do catálogo mostra, ao lado do padrão editável, a linha correspondente da Tabela 1 da Circular Técnica 47 (2007), e diz quando os dois divergem. Eles divergem em várias culturas, e por um motivo: o padrão daqui é de horta comercial e a Circular Técnica 47 é de agricultura familiar, com uso moderado de insumo. Nenhum dos dois está errado, e a escolha é de quem planta. Onde a divergência aparece, a aba mostra as duas contas em vez de esconder a diferença.
Perda de campo. CNA / Markestrat, Mapeamento e quantificação da cadeia produtiva das hortaliças (2018), Tabela 11: a tabela acima. São estimativas de entrevista com produtores, não medição experimental.
Onde não há fonte, está dito. Não localizamos percentual publicado de carreadores para horta comercial. O único valor medido que encontramos é de cana-de-açúcar: “uma média de área de 5% de carreadores (valor obtido através da investigação de 130 fazendas de cana…)” (Scarpinella, Miranda & Mauad, Revista Brasileira de Ciências Ambientais, 2013). A faixa de 3,5% a 7% usada aqui é convenção de planejamento, não recomendação publicada. Espaçamento, ciclo e produtividade do catálogo são ponto de partida editável: mudam por cultivar, região e safra, e o peso por pé de chicória é o único campo sem fonte localizada.