Prática

ART e responsabilidade técnica: quem assina uma recomendação de adubação

Existe uma diferença jurídica entre fazer uma conta e emitir uma recomendação técnica. A primeira qualquer um faz. A segunda é ato profissional, com responsabilidade associada.

Este texto descreve como o sistema funciona em linhas gerais. Ele não é orientação jurídica, e procedimentos, prazos e taxas variam entre os CREAs estaduais. Para o seu caso concreto, a fonte é o CREA do seu estado.

O que é a ART

ART é a Anotação de Responsabilidade Técnica, o documento que registra formalmente quem é o profissional responsável por determinado serviço técnico. Ela é prevista em lei federal e operada pelo sistema CONFEA/CREA, que abrange as profissões da engenharia e da agronomia.

A ART cumpre três funções ao mesmo tempo:

  1. Identifica o responsável técnico pelo serviço
  2. Delimita o que exatamente foi contratado e executado
  3. Serve de prova em caso de questionamento posterior, tanto para o contratante quanto para o profissional

Onde isso encosta na adubação

Recomendação de calagem, gessagem e adubação é atribuição de Engenheiro Agrônomo e de profissionais com habilitação correspondente registrada no CREA. Na prática, a ART costuma aparecer em situações como:

Um produtor calculando a adubação da própria lavoura, para uso próprio, é outra situação. O que caracteriza o ato profissional é a prestação de serviço técnico a terceiro.

Onde entra uma ferramenta de cálculo

Aqui está o ponto que interessa a quem usa o SoloLab, ou qualquer planilha ou software do gênero.

Uma ferramenta calcula. Ela aplica tabelas publicadas a números que você informou. Isso é apoio à decisão, não recomendação assinada. A ferramenta não visita a área, não conhece o histórico, não avalia a compactação, não vê a planta e não responde por nada.

Software não tem CREA. Quem assume responsabilidade técnica é pessoa, e essa pessoa precisa poder revisar o que está assinando.

É exatamente por isso que o SoloLab mostra a memória de cálculo completa, com a fórmula, os valores usados e a fonte de cada etapa. Não é enfeite: é o que permite a um agrônomo conferir, discordar de um parâmetro, ajustar e então assinar com conhecimento do que assinou. Recomendação em caixa-preta não é revisável, e o que não é revisável não deveria ser assinado.

O que o profissional deve conferir antes de assinar

  1. A origem do laudo: laboratório, extratores usados, data e profundidade de coleta
  2. A adequação da referência: a tabela usada corresponde à região e ao sistema de cultivo?
  3. A expectativa de rendimento: é realista para a área, ou foi inflada?
  4. O que a conta não vê: compactação, histórico de aplicação, ocorrência de pragas e doenças, limitação de água, restrição de profundidade efetiva
  5. As unidades, que são a fonte mais comum de erro grosseiro

Para o produtor

Se você vai contratar recomendação técnica, três verificações simples:

Esse último item protege você de um conflito de interesse comum: quem vende insumo e recomenda dose ao mesmo tempo tem incentivo que nem sempre coincide com o seu.

Onde buscar a informação oficial

Procedimento de emissão, valores e atribuições específicas são definidos pelo CREA do seu estado e pelas resoluções do CONFEA. É lá que a informação vale.

O SoloLab é ferramenta técnica educacional de apoio à decisão e não substitui laudo agronômico assinado por profissional habilitado. Veja a memória de cálculo em ação em calagem e adubação NPK.

Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo

Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.

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